Qual nome (naming) devo usar em minha estratégia de marketing como Psicólogo(a)?

A resposta a esta pergunta pode parecer meio óbvia ou até mesmo sem propósito. Afinal de contas, você deve estar pensando: já tenho um nome que utilizo e não pretendo mudá-lo. 

Pode parecer um tema inútil, ou de menor importância. Mas não é, afinal de contas toda a sua estratégia de marketing começa, justamente, com a definição do nome que você usará para ser reconhecido(a) no mercado.

Em marketing, chamamos isso de naming, que pode ser traduzido como :

A escolha do nome do produto, serviço ou empresa estabelecendo uma relação direta com o posicionamento que se pretende atingir. Um nome planejado tem a capacidade de conquistar mercado e potencializar novos negócios. Deve-se levar em considerações questões como pronúncia, escrita, concorrência e tendências. Um nome eficaz deve comunicar facilmente o posicionamento pretendido.  Uma das funções mais importantes do naming é reforçar um atributo principal ou diferencial posicionando o produto ou serviço no respectivo mercado.

O nome escolhido deverá estar presente em toda a sua estratégia de marketing: no seu logotipo, no seu email profissional, nas suas redes sociais, no endereço do seu site, etc. 

É claro que existem outras perguntas "menos óbvias" relacionadas ao tema. Como por exemplo:  

Posso abreviar parte do(s) meu(s) sobrenome?
Posso ocultar um ou mais dos meus sobrenomes?
Preciso informar sempre o número do meu registro profissional?

Vamos usar como exemplo o nome do CEO da Pling, Paulo Francisco Sarmento Esteves Filho (ou seja, um nome grande, com 5 palavras e com muitos caracteres) e vamos supor que este profisisonal seja inscrito no CRP de São Paulo sob o fictício número 12345. 

Teoricamente seria recomendável que este profissional escolhesse abreviar/encurtar seu nome para ser usado em sua estratégia de marketing. Afinal de contas, trata-se de um nome grande, composto por muitas palavras e por muitos caracteres. Seria muito mais fácil que pacientes (e principalmente potenciais pacientes) memorizassem o nome "Paulo Esteves" do que o nome "Paulo Francisco Sarmento Esteves Filho". 

Ou seja, analisado puramente sob a ótica do marketing, a recomendação de 10 em cada 10 especialistas seria: abrevie seu nome! 

O "problema" é que o Código de Ética Profissional aplicável à Psicólogos tem uma previsão expressa, em seu art. 20, alínea "a" que diz que : 

Art. 20 – O psicólogo, ao promover publicamente seus serviços,
por quaisquer meios, individual ou coletivamente:
a) informará o seu nome completo, o CRP e seu número de
registro;

Em um primeiro momento, se poderia  imaginar que estaria vedado, ao Psicólogo(a), a abreviação de seu nome ou até a mesmo a supressão de um ou mais sobrenomes e de que seria sempre obrigatório a composição "nome completo + CRP + número do registro". 

Entretanto, uma análise estruturada desta norma impõe uma interpretação mais abrangente do referido dispositivo legal, conforme passamos a demonstrar. 

1. As limitações no registro de domínios no Brasil

No Brasil, a entidade responsável (o Registro Br) pelo registro de domínios (domínio é o endereço do site na internet) prevê expressamente um limite de 26 caracteres para a composição do domínio. 

Confira aqui o que diz o Registro Br a respeito do tema.

No exemplo que estamos citando, seria tecnicamente impossível no Brasil o registro do domínio www.paulofranciscosarmentoestevesfilho.com.br simplesmente porque ultrapassa o limite máximo de 26 caracteres.

Ora, um site na internet é uma das formas mais genuínas de promover publicamente serviços (previsão do art. 20, alínea "a" do Código de Ética). Pela leitura descontextualizada da norma, o referido profissional estaria impossibilitado de ter um site porque não seria possível abreviar seu nome completo (lembre que a norma exige o nome completo).

Uma outra situação surreal, se fosse aplicada uma interpretação literal da referida norma legal, seria obrigar o profissional a incluir, no seu domínio, o respectivo CRP e seu número, em uma situação bizarra como:

www.paulofranciscosarmentoestevesfilhocrpsp123456.com.br

Ora, é evidente que não é este o objetivo da norma prevista no art. 20, alínea "a", até mesmo porque caso o fosse, seria impossível cumprir com o referido dispositivo legal, ante a impossibilidade técnica supra referida.

2. Os "nomes de usuário" utilizados nas redes sociais

De forma similar ao que ocorre com a temática relacionada aos domínios, também no que diz respeito com as redes sociais parece haver uma certa incompatibilidade no que diz respeito ao uso do nome do profissional.

No Twitter, por exemplo, existe uma limitação de no máximo 15 caracteres para o nome do usuário. No Instagram, o limite atualmente é de 30 caracteres. E em todas as outras redes sociais também existem limitações parecidas.

Ora, possuir um perfil em uma rede social também é uma forma de promover publicamente seus serviços e, portanto, estaria o profissional obrigado a usar seu nome completo + CRP + número de registro? Óbvio que não, até porque isso tornaria impossível que um psicólogo utilizasse adequadamente as redes sociais. 

Então qual é, afinal de contas, o "espírito da lei" do art. 20 alínea "a"? Na nossa interpretação, o espírito desta norma é prever uma total rastreabilidade e identificação do profissional de Psicologia responsável pela promoção (leia-se marketing) dos seus serviços. Ou seja, a preocupação legal vai além, pois o que pretende é a identificação, de forma clara e inequívoca, do profissional responsável pela publicidade. Seja para que o público em geral possa facilmente identificar o profissional, seja para que o próprio Conselho possa identificá-lo em caso de eventual transgressão disciplinar. 

Na nossa opinião, considerando-se uma estratégia integrada de marketing para Psicólogos, devemos separar a questão em dois pontos:

a) o logotipo do Psicólogo (marca profissional) deve conter o nome completo do profissional, além da referência do seu respectivo conselho profissional (UF ou sigla) e o número do seu registro profissional. Em casos extremos, quando extremamente necessário, admite-se a abreviação de algum dos sobrenomes. 

b) as demais estratégias de marketing (domínio de site, email profissional, nomes nas redes sociais, etc.) podem conter uma abreviação do nome (ou até mesmo a supressão de parte dele). Cuide, neste caso, para adotar o mesmo nome abreviado em todos estes locais de modo a criar uma identidade para que sua estratégia de marketing não vire uma bagunça. 

Não é de se desprezar que o atual Código de Ética é datado do ano de 2005 e que seria muito positivo que em sua próxima renovação houvesse uma melhor clareza em relação a esta questão de naming para Psicólogos.  Na nossa opinião, ao invés de exigir o uso do nome completo, seria muito mais eficiente exigir que na dilvulgação fosse possível identificar-se claremente o profissional responsável, independente se houve ou não supressão ou abreviação de parte de seu nome. Desta forma, evitaria-se a desagradável situação (hoje existente)  de obrigar o profissional que possui um nome grande a ter seu logotipo com um naming e usar outro naming em suas demais estratégias de marketing.

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